Daniel Pink é um jovem economista, advogado e best seller norte-americano, que faz muito sucesso com seus cinco livros sobre negócios e comportamento. Um deles, cujo título no Brasil é Motivação 3.0, é muito indicado para líderes e é o assunto que trago à reflexão nesta semana.

O autor sugere que devemos repensar a forma com que as pessoas são motivadas no trabalho, uma vez que ao longo dos anos, houve grandes mudanças nos negócios, na tecnologia, nos meios de produção e na organização do trabalho em si.
Ele faz uma comparação entre computadores e as normas e protocolos muitas vezes invisíveis, que condicionam o funcionamento das sociedades, considerando como se também fossem “sistemas operacionais”, e diz que atualmente esse sistema possui uma defasagem entre o que a ciência sabe e o que as empresas ainda utilizam para motivar colaboradores.

Daniel conceitua o nosso primeiro “sistema operacional” como Motivação 1.0, que durante bastante tempo era responsável apenas pela nossa sobrevivência. O sistema posterior, que chama de Motivação 2.0, é baseado em motivadores externos, com recompensas e punições, que se mostrou muito eficiente para as atividades rotineiras do século XX.

Finalmente, Daniel menciona que este sistema deve ser substituído por uma nova abordagem, o modelo de Motivação 3.0 que possui três elementos considerados essenciais para a motivação intrínsica que são:

1. Autonomia: o desejo humano de dirigir a própria vida, de ter autonomia sobre o tempo, a forma, a equipe, a técnica e sobre o que fazer;

2. Excelência: uma pressão sobre si mesmo para se tornar cada vez melhor em algo relevante e com um impulso para uma busca constante, desafiadora e sedutora para fazer mais e melhor quase acima de nossa capacidade.

3. Propósito: a vontade de fazer o que fazemos em nome de algo superior a nós, algo que dure mais que nossa própria existência.

O conceito de motivação 3.0 de Daniel Pink pode também servir de grande inspiração para as empresas de vendas diretas, assim como para seus líderes.

Saber criar equipes e planos de remuneração ou compensação alinhados com os motivadores aqui descritos pode ser um diferencial na velocidade e tamanho do crescimento de times e empresas. Afinal, a autonomia é característica do segmento, a excelência é cada vez mais um requisito imprescindível para produtos, serviços e relações e finalmente, o propósito é um combustível que impulsiona a construção da própria remuneração e a vida como um todo, ao mesmo tempo em que é também um remédio que alivia qualquer cansaço.

O livro de Daniel Pink deverá ainda ser muito debatido em nossa sociedade e pode mudar profundamente nossas relações no trabalho, mesmo nas empresas que possuem líderes que demoram a aderir a novidades.

Algumas pessoas seguem repetindo uma frase ultrapassada que diz que “em time que está ganhando não se mexe”. Eu acredito que para ganhar mais facilmente em qualquer campo, os líderes e empresários devem procurar entender cada vez mais o aspecto mental e comportamental daqueles que marcam os verdadeiros gols de suas empresas. Uma força de vendas bem treinada, motivada e remunerada de maneira justa e inteligente.