Recentemente, Raul Candeloro publicou esta ótima entrevista com Eduardo Zugaib no Portal Venda Mais, sobre o seu novo livro “A Revolução do Pouquinho”, que nós recomendamos para todos os profissionais de Vendas Diretas.

Abaixo, segue a transcrição completa deste encontro histórico. Obrigado amigos!

Sergio Buaiz

Uma forma eficiente para realizar as mudanças necessárias na vida é apresentada pelo publicitário Eduardo Zugaib, em seu novo livro “A Revolução do Pouquinho – Pequenas atitudes provocam grandes transformações” (DVS Editora, 235 páginas). O autor desmistifica soluções aparentemente fáceis, como aproveitar a virada do ano para listar nossos objetivos e passarmos, de uma hora para outra, a agir da maneira como gostaríamos. Para Zugaib, as famosas promessas de ano-novo não dão certo e, como você já deve ter descoberto por experiência própria, ele está certo. Confira a entrevista com Zugaib.

Vamos começar falando um pouco sobre você, Eduardo, para que nossos leitores possam conhecê-lo melhor. Você poderia nos contar brevemente sua trajetória profissional até escrever “A Revolução do Pouquinho”?

Em essência, sou um profissional de comunicação. Desde o meu primeiro trabalho na extinta Eletropaulo, onde ingressei aos 14 anos, isso sempre ficou claro para muita gente. Menos para mim. A ficha da vocação em humanas demorou um pouco para cair, causando profundas crises pessoais até os 21 anos. Nessa idade, já na reta final da faculdade de comunicação, onde fui parar intuitivamente, tomei uma decisão importante e perigosa aos olhos de muita gente: deixar para trás a estabilidade proporcionada por uma estatal, sonho de milhões de brasileiros, para encarar um mercado que conhecia apenas pela faculdade. Não sabia ainda o que eu queria fazer da vida. Tinha apenas uma certeza: aquilo que vivera até ali era exatamente o que eu não queria. Alguns meses depois, iniciei minha experiência profissional em comunicação, criando anúncios para o principal jornal da minha cidade, O Diário de Mogi.

Em menos de um ano, fui convidado para atuar numa pequena agência de propaganda de São Paulo, onde permaneci por dois anos. Em 1997 segui para a Diretotal-Interativa, uma das precursoras do CRM no Brasil, saindo em 2005 para retornar ao Alto Tietê, onde participei do start-up de duas agências locais: a Propaganda Lestte, uma experiência curta, e a Publixe Comunicação Integrada. Em ambas, apesar de ter chegado como diretor criativo, acabei assumindo o papel de diretor executivo, planejando e tornando viáveis grande parte das operações. Em seis anos à frente da Publixe, fui convidado pela TV Diário, afiliada Rede Globo local, a assumir a gestão da Diário Vídeo, produtora que prestava suporte aos projetos da emissora e aos clientes de publicidade, além de produzir conteúdos para Educação a Distância.

Casa arrumada, dois anos após a Universidade de Mogi das Cruzes me convidou a assumir a sua Gerência de Marketing e Notícias. Após um ano nessa função, a minha empresa de Treinamento e Desenvolvimento, a Z/Training (que já existia há três anos) começou a ganhar projeção, me fazendo optar por encerrar a vida de executivo e encarar de frente a de empresário. Na época em que retornei para Mogi, recebi o convite da Universidade Braz Cubas para lecionar nos cursos de graduação e pós-graduação em Comunicação e Marketing, experiência que me abriu portas em docência na Universidade de Mogi das Cruzes e nas Faculdades de Atibaia, a Faat. De certa forma, o palestrante nasceu dentro das salas das universidades, onde procurava desenvolver os conteúdos de uma forma séria e relevante, sem ser chata.

Mesmo não tendo trabalhado em agências de ponta, os artigos que publicava já em 2001 em diversos veículos especializados, como o Jornal PropMark e os portais VoxNews, Webinsider e o próprio VendaMais, me deram chancela para integrar o júri de importantes premiações da propaganda, como o Prêmio Folha-CCSP, o Cannes Predictions, que eram as prévias brasileiras do festival internacional e também o Profissionais do Ano da Rede Globo, do qual tive o privilégio de ser jurado em sua histórica 30ª edição.

Essa veia de cronista foi o start do meu trabalho como escritor, iniciado ‘oficialmente’ em 2004, quando ganhei o Prêmio Biblioteca Mário de Andrade de Literatura – São Paulo 450 anos. Do prêmio, veio o convite da Editora Melhoramentos, para iniciar, em 2006, carreira na literatura juvenil, que já rendeu três obras. Agora, em 2014, inicio nova fase literária, com meu primeiro livro focando abertamente em desenvolvimento pessoal e motivação, “A Revolução do Pouquinho”, que será publicado pela DVS Editora.

1) Olhando para trás, existe algo que você gostaria de ter sabido ou descoberto antes – alguma lição que teria ajudado a superar ou evitar algumas dificuldades pelas quais passou?

Quando chegamos aos 40 anos olhamos pra trás, percebemos muitos momentos em que a visão de hoje nos ajudaria a buscar caminhos mais construtivos. Da falta de autoestima e de propósito na adolescência e início da vida adulta, passando pela falta de gentileza que tive com muita gente durante minha vivência em agências, provocando rupturas que, se fizeram bem para o ego à época, hoje soam como completamente desnecessárias. Acrescente aí a falta de bom humor e flexibilidade, sempre provocando desgastes emocionais e somatizações desnecessárias.

Esses são apenas alguns momentos que, para que eu pudesse seguir em frente no meu trabalho, hoje totalmente dedicado ao desenvolvimento de profissionais e equipes, precisaram sofrer uma profunda ressignificação. Hoje, o profissional de comunicação que citei no início, dedica-se a fortalecer essa competência nos profissionais que atende, desde clientes de coaching até empresas que optam por programas estruturados de desenvolvimento profissional, levando também abordagens muito focadas nesse sentido nas palestras motivacionais e comportamentais, que apesar de serem trabalhos pontuais, sempre provocam reflexões quando são conduzidas com respeito e relevância para o público.

2) Agora sobre seu livro. Com tantos livros sobre autoajuda e motivação já disponíveis no mercado, o que o seu traz de diferente?

Ele não trata motivação como fim, mas como meio. Motivação é processo, não resultado. Penso que apenas essa mudança conceitual já provoque mudanças na vida de muita gente, pois o que vemos no dia a dia são pessoas esperando a motivação aparecer somente após um ‘grande evento’. Algo do tipo: ‘quando me formar, vou procurar estágio’, ‘quando me aposentar, vou viver’ ou o mais clássico de todos, que é ‘no ano-novo vou começar tal coisa’. Trabalha-se a motivação algo terceirizado a uma data ou, pior ainda, condicionado à decisão de uma pessoa que não seja nós mesmos: ‘Se meu chefe me desse uma oportunidade, eu mostraria meu talento’… quem já não ouviu isso ao menos uma vez na vida? Uma pequena atitude já pode transformar esse cenário.

Essa pequena atitude começa na compreensão de que é a motivação – que na sua essência é um processo que mistura foco, propósito, criatividade, comunicação, ambição e os outros dezesseis pouquinhos que compõem o livro – que vai me aproximar o máximo da minha conquista. E que não vai sujeitar-se à chegada das datas visualizadas, mas trabalhá-las como deadlines críticos das atitudes que, quando a data chegar, já deveriam ter sido tomadas!

Sem perceber, o pouquinho a mais que deveríamos dedicar todos os dias, em determinados momentos, tornam-se pouquinhos a menos. Repetidamente, esse movimento (ou ausência de) nos fazem retornar à zona de conforto, ou de letargia, abrindo mão totalmente da faixa de controle que nos cabe. Nós temos as ferramentas e, de certa forma, o livro “A Revolução do Pouquinho” ajuda o leitor a organizar essa caixa de ferramentas, compreendendo qual a finalidade de cada uma nesse processo estruturado de motivação. O pouquinho representa justamente pegar a necessidade que temos pela mão e irmos conduzindo-a no sentido da sua satisfação, de forma estruturada, possível de se medir e, justamente por isso, capaz de fazer o nosso racional andar mais sincronizado com o emocional, lembrando que as nossas maiores conquistas sempre foram através de processos em que o coração abriu a trilha e a razão pavimentou a estrada.

3) Você poderia nos dar um exemplo extraído do livro que resume as principais ideias e conceitos que você defende?

Na história que relatei há pouco vivi a ‘Revolução do Pouquinho’ em diversos momentos. Tanto naqueles em que acertei, como também naqueles em que hoje percebo que, com pequenos ajustes de atitudes e decisões, poderiam ter sido diferentes. Da adolescência e início da vida adulta, quando enfrentei depressões profundas, chegando a pensar diversas vezes em suicídio, percebo que hoje o que faltava era um pouquinho de propósito, algo que fizesse o coração bater num ritmo que me fizesse bem. Não num ritmo que eu imaginava ser o desejado pelo mundo lá fora. Somado ao cenário de ‘desencontro’ vocacional, processos pessoais e familiares dramáticos, como a morte repentina de meu irmão e toda a crise emocional decorrente dela, acabaram por me proporcionar meu primeiro insight seguido de decisão e ação. Foi quando optei por parar apenas de visualizar a mudança e passei a me conhecer e a mobilizar meus próprios recursos, pouquinho a pouquinho, na construção de uma vida mais plena.

Este é apenas um dos muitos exemplos pessoais que exponho no livro. Mas posso citar exemplos de pouquinhos nos comportamentos coletivos, mas que há alguns séculos eram completamente ‘desnecessários’, pela cultura da época, como o hábito do banho diário. Já pensou que todo dia você toma uma pequena decisão que o faz tomar banho? Pense se, de repente, parássemos de tomar banho diariamente e fôssemos adiando essa decisão por alguns dias, semanas… O autor Zig Ziglar condensou isso em um pensamento que já até se transformou em clichê, aquele do “Motivação é como banho, é preciso tomar todos os dias”. Na Revolução do Pouquinho convidamos o leitor a ir um pouco além, mostrando que atrás da ação pura e simples, seja ela positiva ou negativa, há sempre uma decisão e uma atitude pessoal envolvida. Lembrando que a falta de decisão ou de atitude, por si só, é uma decisão e uma atitude. A decisão de delegar para o mundo a SUA possibilidade de mudança, assumindo a atitude de deixar para lá.

4) De maneira rápida e resumida, que tipo de leitor mais se beneficiaria do seu livro? Que tipo de conselhos ou informação deveriam estar procurando, ou que tipo de problema estariam tentando resolver?

A proposta é proporcionar um processo, composto de diversos fatores (os ‘pouquinhos’), que combinados e recombinados, ajudam a tornar a motivação mais tangível e menos sujeito apenas à existência de um pensamento positivo ou de otimismo. São estados de espírito excelentes, mas que sozinhos não realizam nada e acabam nos transformando em repetidores de frases. Fazem-nos ‘abraçar as árvores’, porém não nos dão a compreensão de como a árvore chegou até ali, como podemos co-criar com ela, interagir, aprender, etc.

Pretendo mostrar, de um jeito estruturado, a ação que existe dentro da palavra motivação. A construção literária, pontuada por crônicas e relatos pessoais e profissionais, conhecimento acadêmico e prático, faz de “A Revolução do Pouquinho” uma leitura leve, agradável, porém altamente reflexiva, pois traz um pouco de racionalidade ao processo, com a autoavaliação, a declaração de propósito, o monitoramento proposto que existem após cada capítulo. Leitores que buscam uma leitura leve e bem-humorada, além de uma nova forma de compreender motivação, agregando processos racionais a ela. Uma verdadeira caixa de ferramentas.

5) Qual seria a primeira coisa que você gostaria que alguém fizesse depois de terminar de ler seu livro, colocando em prática o que foi visto?

Gostaria que o leitor sentisse que, enquanto ele não provocar essa combinação de pouquinhos que precisa acontecer dentro de si, criando propósito e fortalecendo a persistência, a motivação vai continuar sendo algo muito subjetivo. Pretendo contribuir para que ele perceba mais objetividade nisso, visualizando e percorrendo caminhos concretos, que são sugeridos nos exercícios da “Minha Revolução do Pouquinho”. Do contrário, corre-se o risco de permanecer vivendo de motivadores superficiais, os ‘prêmios’ que conquistamos no dia a dia e que, por não estarem revestidos de um significado maior, perdem o sentido rapidamente. Com pequenas atitudes, assumidas um pouquinho a cada novo dia, obtém-se resultados extraordinários, visíveis após algumas poucas semanas.

6) Que outros livros ou autores você recomendaria para quem quiser se aprofundar nesse assunto?

Entre autores nacionais, recomendo o “8 ou 80”, da Branca Barão, e “Leve o coração para o trabalho”, de Alessandra Assad. De autores estrangeiros, destacaria “O poder do Hábito”, de Charles Duhigg e “O ponto da Virada”, de Malcon Gladwell. Clássicos como “A Lei do Triunfo, de Napoleon Hill, “7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, de Stephen Covey e as obras de Martin Selligman, “Felicidade Autêntica” e “Florescer”.

7) Qual é o maior erro que você vê as pessoas praticando em relação aos assuntos cobertos pelo livro?

A falta daquilo que chamo de Compromisso da Continuidade. Isso deve-se à nossa natureza, que é muito imediatista e pouco sustentável em termos de ação. Poucos permitem-se encarar a disciplina que uma mudança sustentável requer e “A Revolução do Pouquinho” ajuda a visualizar até em números essa disciplina.

8) Que sugestões você daria para quem quer melhorar? Por onde começar?

Assim como há alguns anos sugeririam investir em conhecimento, nessa era de Essência, a resposta é: amplie seu autoconhecimento. Seja através de livros, de treinamentos, de processos de coaching, psicoterapia, não importa. Conhecendo-se pra valer e percebendo como estão as ferramentas que carregamos dentro de nós, as conquistas tornam-se mais saborosas e sustentáveis. Melhorando a pessoa melhoram os resultados, independente da arena onde ela desempenhe algum papel: família, amigos, comunidade, liderança, vendas, empreendedorismo, etc. Cuide da essência e conheça-se pra valer, para por o coração à frente de todos os processos de construção que queira empreender, sem medo de machucar-se, deixando o ‘acabamento’ para a razão.

9) E o que você acha que essas pessoas deveriam PARAR de fazer?

Em resumo, deveriam sair da perspectiva do “eu sei que preciso fazer isso” ou do “na teoria é lindo” e assumir de vez para si mesmo o “fazer”, a “prática”. Perceber que motivação é um processo que envolve a mente, o coração e os … glúteos! Como? Mexendo o traseiro e mobilizando-se pra valer na construção de significado para o trabalho e para a vida.

10) Baseado em toda sua experiência e depois de todas as pesquisas que fez para escrever seus livros, existe algum conselho sobre aprimoramento pessoal e profissional que você vê publicado com frequência mas com o qual não concorda?

Aqueles que apenas invocam o ‘pensamento positivo’, seja através de livros, palestras ou artigos, desconsiderando que ele é apenas parte do insight da mudança. Uma coisa sou eu falar: “Queira bem as pessoas”. Isso é bonito, afirmativo e… só! O resultado é inócuo, já que não apresenta um mapa que contextualize o ‘querer bem’ em ações, a causa de muita gente perceber a motivação como tolice piegas. Prefiro dizer: “Queira bem as pessoas: ouça-as na essência ao menos uma vez ao dia, olhe nos olhos, investigue a dimensão emocional em que se encontram, celebre seus acertos e proporcione a elas feedbacks construtivos para fortalecer sua autoestima e seu engajamento”. Gosto de conselhos que não apenas apresentem o milagre, mas que também revelem o santo, a forma como ele pensa e atua.

11) Existe algum conceito do livro que você gostaria de reforçar aqui?

Reforço o próprio subtítulo dele: pequenas atitudes provocam grandes transformações. Quando nos permitimos adotar conscientemente pequenas atitudes sucessivamente, criamos o hábito, o que coloca todo nosso sistema neurológico numa nova perspectiva, em novas sinapses. Aos poucos vamos abrindo mão de hábitos e comportamentos nocivos, substituindo por aquilo que realmente interessa.

12) Algum comentário adicional que gostaria de fazer aos nossos leitores?

O livro “A Revolução do Pouquinho” ganhou forma a partir do conteúdo de uma palestra, ao qual agreguei experiências pessoais, conhecimentos e aprendizados obtidos nestes mais de 20 anos dedicados à comunicação, os quais contém outros 8 dedicados ao treinamento e desenvolvimento de profissionais e equipes. A estrutura do livro permitirá a elaboração de uma série nova de conteúdos, obtidos a partir dos ‘pouquinhos’ que as empresas queiram desenvolver com seus colaboradores: ‘Um pouquinho mais de Liderança’, ‘Um pouquinho mais de Vendas’, ‘Um pouquinho mais de Motivação’, são alguns dos temas já prontos.

Fonte: VendaMais